Rolou no twitter esses dias uma discussão sobre o vira-latismo brasileiro que nos colocaria sempre em busca do apagamento do nosso sotaque enquanto falantes de língua inglesa. O tweet original citava Angela Merkel, Macron e Shakira como exemplos de não falantes nativos, mas que mesmo com acesso e influência tinham seus sotaques. Eu já vi essa discussão inúmeras vezes e decidi aproveitar o novo espaço para trazer minha opinião para além dos 280 caracteres. Adianto que, sim, acredito que há uma preocupação exacerbada dos brasileiros em buscar um sotaque nativo e a primeira pergunta que eu faço é: Nativo de que lugar: Inglaterra, Irlanda, Nova Zelândia? Não? EUA? EUA, então. Beleza. Agora vem a segunda pergunta: De que parte dos EUA?
Pois da mesma forma que um carioca fala diferente de um pernambucano, um nova iorquino tem um sotaque diverso de um texano. Qual você chama de sotaque nativo?
O problema começa aí, em achar que existe um sotaque correto a ser aprendido e treinado para que “passemos” por nativos, mas de onde vem essa necessidade de fingir uma origem que não é a nossa? Nas respostas ao tweet vi algumas pessoas comentando sobre o preconceito que brasileiros sofrem no exterior e é claro que existem casos de xenofobia, mas é revoltante que em 2021 alguém ainda se sinta obrigado a imitar um sotaque para achar um emprego, por exemplo. Também acho importante pontuar que uma coisa é um alemão ou um francês falando inglês nos Estados Unidos e outra coisa é um latino-americano, entretanto deixar que isso paute o ensino e todo o processo de aprendizagem do idioma, na minha concepção, é um equívoco.
Fecho esse texto defendendo que, no geral, falar o SEU inglês é também uma maneira de se apropriar do conhecimento construído, já que aprender não é um caminho linear, idiomas então…cada um tem uma trajetória, orgulhe-se da sua!
Também acho que não existe sotaque correto, o mais importante é a comunicação ser estabelecia(entender e ser entendido), só isso já basta.